POLÍCIA CIVIL, UM SONHO PERDIDO
Existem inúmeras razões que podem
motivar uma pessoa a querer se tornar um policial. Eu,
particularmente, decidi me tornar um policial por 2 motivos:
primeiro, por desejar exercer uma profissão que fosse ao
mesmo tempo nobre e importante e, segundo, queria um
trabalho que proporcionasse ação e não fosse rotineiro, pois
pode parecer insano, mas gosto do perigo e de correr riscos.
Quando me inscrevi e fui aprovado no concurso de 2003 para o
cargo de Detetive da Polícia Civil, achei que estava
entrando para uma profissão assim, para um órgão policial de
verdade. Achei que seria Detetive, um investigador.
No item 1.1 (Descrição sumária das
atividades) do edital do concurso, dizia:
“Detetive é o servidor
policial que tem a seu cargo a investigação e coleta de
elementos para elaboração de inquéritos e processos
sumários, policiamento preventivo especializado,
cumprimento de mandados, escolta de presos e
investigação sobre paradeiros de pessoas desaparecidas
(Art. 70 da Lei nº 5.406, de 16 de dezembro de 1969 –
Lei Orgânica da Polícia Civil de Minas Gerais).”
Fui enganado! Até acabou-se com o
cargo de Detetive, mudando a denominação para Agente de
Polícia. Preferia muito mais o termo Detetive, que
delimitava melhor a especialidade da função e nos
correlacionava com os Police Detectives das outras
forças policiais do mundo. Agente é um termo muito
genérico e que costuma ser referenciado aos agentes
federais.
Pode-se dizer, pelo menos sob meu
ponto de vista, que a Polícia Civil já não é mais um
órgão policial de verdade. As delegacias foram
transformadas em cartórios. “Você vai numa delegacia e o
que menos vai encontrar são policiais correndo atrás de
criminosos. Eles ficam lá batendo carimbo e preocupados
com prazos e procedimentos legais. Há um formalismo que
não tem nada a ver com o problema criminal.” (comentário
realizado pelo sociólogo Claudio Beato, diretor do
Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança da UFMG
em entrevista com o jornal Folha de São Paulo em
10/11/2008.)
Os governantes ainda só estão
preocupados com números e não com a qualidade do
serviço. Realiza-se muito mais em termos de quantidade,
voltando-se para as atividades internas de intimar,
ouvir e remeter o mais breve possível o procedimento à
justiça, do que se empenhar na qualidade dos serviços
externos de investigações, investigação de campo.

O SONHO ACABOU...
Nos distritos, as delegacias
operacionais, normalmente têm cerca de 800 a 1000
inquéritos em trâmite, sem contar as centenas de REDS
(Registros de Eventos de Defesa Social) e de TCOs
(Termos Circunstanciados de Ocorrência). Os poucos
policiais civis ocupam a maior parte do tempo atendendo
ao público para registrar suas ocorrências, na grande
maioria das vezes tratando-se de simples perda de
documentos ou de objetos que não é motivo para gerar uma
investigação, redigindo e protocolando documentos e
deslocando-se para realizar intimações ou encaminhar
inquéritos e outros expedientes à outras unidades. Os
trabalhos ficam por conta dos escrivães ou dos agentes
desviados de sua função que irão apenas ouvir os relatos
e depoimentos, reunir as informações e encaminhar ao
poder judiciário. Pois é, acabaram-se as cadeias nas
delegacias e os policiais civis deixaram de tomar conta
de presos para tornarem-se “office boys” da justiça. Não
há investigação. Investigação mesmo, havendo
levantamento, coleta de evidências, campanas nos locais
de ocorrências de crime, cruzamento de informações,
filmagem ou fotografia, escuta, etc.: nada.
Nas delegacias especializadas é
ainda pior, pois, só no caso da homicídios, são
geralmente 80 inquéritos, ou seja, 80 homicídios, para
cada agente, por mês. E todos com prazo. É praticamente
impossível de se investigar corretamente. Muitos
acabarão não sendo investigados se acumulando.
Atualmente, quase que a totalidade
das prisões realizadas, principalmente durante os
plantões, são feitas pela Polícia Militar através de
ocorrências ou até mesmo por meio de investigações
realizadas pela inteligência desta (P2). Difícil ver uma
prisão feita por uma investigação iniciada e concluída
pela própria Polícia Civil.
Algumas vezes há sim uma certa
investigação que gera uma operação policial e que acaba
resultando na prisão de criminosos. Mas pode apostar que
houve um interesse particular ou pressão política ou
social para isso. Outras vezes há uma pequena operação,
para fazer propaganda sabe, mostrar a comunidade que a
polícia “está trabalhando” e que geralmente não resulta
em prisão nenhuma, afinal não houve levantamento, não
houve investigação. Foi só pra inglês ver.
Por outro lado, em várias unidades
de apoio tático da PC e em determinadas unidades
administrativas, os policiais civis sofrem com o tédio.
Ficam ociosos grande parte do tempo e são impedidos ou
não têm competência para investigar nem um mísero furto
que esteja acontecendo frequentemente próximo às suas
unidades.
Acabou aquele tira bom de serviço
que só vivia nas ruas ou dentro da viatura. Que estava
atento a tudo que ocorresse nas ruas. Que tendo vários
informantes, sabia quase tudo. Aquele que virava as
noites e ficava altas horas da madrugada de campana para
saber o que um suspeito estava aprontando ou iria
aprontar. Que estava pronto a qualquer hora do dia ou da
noite pro que der e vier, para uma operação ou para
fazer uma prisão. Aquele polícial 24 horas que não tinha
medo de “bronca”, que não tinha medo de nada. Que,
orgulhoso do distintivo, gritava: “POLÍCIA! PERDEU,
PERDEU. MÃOS NA CABEÇA E ENCOSTA NA PAREDE. A CASA CAIU,
TÁ PRESO!”
Hoje o tira bom é aquele servidor,
preferencialmente submisso, que entende de informática
ou o polícial de escritório, nos moldes do funcionário
público: cumpridor de horário, que chega à repartição
exatamente às 08:30h; senta-se em frente à mesa ou ao
computador; permanece ali o dia inteiro, pausando de vez
em quando para tomar um café ou bater um papo; pára ao
meio-dia em ponto para o almoço; retorna pontualmente as
14h; senta-se denovo na mesa ou no computador, pausando
novamente para os coffee breaks; até dar 18:30h para ir
embora o mais rápido possível do entedioso trabalho.
Trabalho depois do expediente, nem pensar! Este, passou
a ser o servidor ideal para a polícia. E se um destes,
sei lá, que possui um espírito policial, se deparar com
uma situação e resolver fazer uma prisão. Ao levar o
suspeito para a delegacia, mesmo não tendo agido com
abuso algum, mesmo tendo executado o procedimento de
forma legal, ainda pode não contar com apoio e ouvir um
monte de broncas de seu chefe por “estar dando
trabalho”.
Não estou dizendo que queria o
retorno daquela polícia antiga e obsoleta que só apurava
tudo através da tortura, no pau de arara. Isso não é
investigação. Alguns ainda dizem que assim se apurava
muitos crimes e que só desse jeito é possível apurá-los.
Mas qualquer um que esteja sob tortura vai inventar
qualquer coisa, dizer até o que não fez, simplesmente
para se livrar do sofrimento. É verdade, que em certas
situações extremas, repito, EXTREMAS, a lei é
incompetente e ineficaz. E para solucionar isso é
necessário atuar fora da lei. Vai me dizer que você não
agiria de forma ilícita para pegar um criminoso que
matasse um filho seu ou estuprasse sua mulher e ficasse
impune? Não se trata de vingança, e sim de punição. Mas,
como eu disse, tratam-se de situações extremas e raras.
E mesmo assim, aquele que o fizer estará correndo o
risco de ser responsabilizado por seus atos. Agora a
prática cotidiana de tortura ou da arbitrariedade
policial é sim totalmente condenável.
Acreditava que nós policiais da
nova geração poderíamos atuar de forma mais inteligente,
melhorando a imagem da Polícia Civil. Sonhava com uma PC
diferente, encarregada única e exclusivamente do
exercício de polícia judiciária, ou seja, das
investigações criminais. Sonhava que a PC poderia ter
tanta moral quanto a Polícia Federal. Aliás até mais,
pois o número de crimes investigados e solucionados
seriam incrivelmente grandes, reestabelecendo a sensação
de segurança e adquirindo o respeito da mídia e da
população.
Mas para que isso ocorresse era
necessário que a Polícia Civil abandonasse tudo que a
ela não dizia respeito para então somente fazer aquilo
que era de sua competência: investigação.
Sendo assim, devia parar de ficar
“enxugando gelo”, correndo atrás de bandidos e
traficantes “pé-de-chinelo” ou de ficar perseguindo os
pobres na favela. Quando se fala em investigar, já
pensam logo em “ir pro morro”, pô! Ao invés de ficar
prendendo no ato qualquer viciado e pequenos
ladrõeszinhos, passar a observá-los e monitorá-los para
se chegar aos que comandam a atuação destes, o crime
organizado.
O crime organizado não é aquele
que gira em torno dos traficantes dos morros, o bandido
altamente armado, dono das bocas de fumo e nem de
quadrilhas armadas especializadas em roubos a bancos e
sequestros. Conforme exposto pelo documentário Notícias
de uma guerra particular (1999), de João Moreira Salles
e Kátia Lund, os chamados “donos dos morros” não
constituem uma organização criminosa verdadeiramente
operacional. Têm realmente um mínimo de coodernação
entre as atividades financeiras, de comércio, de
proteção armada, de combate e de “apoio comunitário”.
Entretanto, eles não têm conhecimento ou contatos
suficientes para movimentar milhões de dólares ou
participar do jogo de poder e dinheiro que caracteriza o
relacionamento com as altas cúpulas do Estado
constituído.
Conforme o Promotor de Justiça de
Minas Gerais e professor da PUC Minas, Marcelo Cunha de
Araújo, sobre o crime crime organizado no Brasil, a
ligação entre o tráfico e o crime organizado não se dá
nos morros (ou nos presídios) e sim em um nível
hierárquico-organizacional acima. Para cada dono de boca
de fumo, existe alguém mais sofisticado e poderoso que
consegue financiar a atividade sem se expor ou sem
“sujar as mãos” com a violência da guerra na favela.
Esse alguém mais sofisticado e poderoso tem íntimas
ligações com o Estado e é pessoa que, dentro do sistema,
opera de forma a impossibilitar sua mudança. Trata-se do
financiador oculto de campanhas eleitorais, do
empreteiro que misteriosamente vence licitações, do
lobista que consegue verbas no orçamento, do
intermediário que facilita a obtenção de sentenças em
determinado sentido. Tal crime é organizado porque
possui entre seus componentes servidores e membros do
governo corrompidos.
A guarda e custódia de presos não
deveria ser mais atribuição da PC, a não ser
estritamente durante a fase de investigação. Felizmente,
neste quadro nosso governo conseguiu solucionar isso
criando a Subsecretaria de Administração Penintenciária
e transferindo a responsabilidade para os agentes
penitenciários. Nesse sentido o problema já foi
resolvido.
Atribuições e serviço
administrativo
Delegado era Delegado e Polícia
era Polícia. Os Delegados, chefes que dirigiam as
unidades, supervisionavam as ações dos agentes e
coodernavam as operações policiais. Os agentes,
investigadores, lidavam diretamente com as
investigações, agindo com maior autonomia, sem ter que
ficar “pedindo benção” ao delegado para cada
procedimento que fosse realizar. O serviço
administrativo seria realizado somente por agentes
administrativos e técnicos especializados. Escrivães não
eram mais sobrecarregados, cuidavam unicamente das suas
atribuições, secretários e digitadores terceirizados os
auxiliavam, realizando as funções que não lhe diziam
respeito. Eventualmente, poderia se atribuir o serviço
administrativo aqueles policiais que fizeram alguma
besteira ou que se tornaram inaptos para o serviço
operacional.
Termo Circunstanciado de
Ocorrência
O Termo Circunstanciado de
Ocorrência (TCO) nada mais é do que uma transcrição do
REDS/BO registrado pela Polícia Militar. Ele seria
repassado pela PM diretamente aos juizados competentes,
pois trata-se de trabalho do poder judiciário e não de
polícia, muito menos de polícia investigativa, deixando
as delegacias de ficarem marcando audiências e
transcrevendo os REDS/BO como se fossem “secretarias
privilegiadas dos juizados”.
A competência seria descomplicada.
Simplesmente ratione locci. A polícia uniformizada não
se fragmenta em competências ratione materia ou persona
e, menos ainda, ratione valoris. Como seria responsável
apenas pela investigação criminal, e não pela prevenção,
assim como também não mais ficava responsável em atender
ao público para registrar ocorrências, o que deveria ser
feito pela PM com um número maior de militares e
servidores que os auxiliariam, acabaria aquele enorme
números de pequenas delegacias espalhadas pela cidade,
muitas vezes instaladas em pequenas casas que
demonstravam sua fragilidade e eram um chamativo para
serem invadidas por grupos armados. Isso economizaria
ainda nos gastos que o Estado tem com os vários imóveis.
A polícia uniformizada e preventiva que deveria sim ser
mantida espalhada por toda a cidade de modo a aumentar
sua eficácia e agilizar o atendimento das ocorrências.
Para a Polícia Civil haveria
apenas Departamentos em cada município. E nos maiores
municípios, haveriam ainda as Delegacias Regionais. Cada
delegacia, seja departamento ou regional, seria
responsável pela sua respectiva área. E as atribuições
especializadas, como homicidios, narcóticos, roubos,
fraudes, eram divisões que funcionavam dentro das
próprias delegacias. Não haveria mais a separação de
policiais civis comuns e policiais civis especializados.
Todos eram especializados pois trabalhavam em alguma
divisão dentro das unidades.
Os prédios das delegacias seriam
grandes, bonitos e, naturalmente, cheios de policiais.
Possuiriam câmeras de vigilância e segurança
especializada terceirizada. Definitivamente haveria um
controle de entrada em suas dependências. Ninguém
entrava sem identificação e autorização. Nunca mais
alguém que simplesmente vestisse um terno iria conseguir
se passar por delegado e entrar em todas as áreas da
unidade. Ninguém mais haveria de tentar invadir uma
delegacia.
Não haveria mais policiais
ignorantes, com pouca instrução, com aquela aparência de
“bicheiros”, donos de jogo do bicho”. Geralmente mal
vestidos, portando pochete e usando aquele colete de
tecido, feio que dói, escrito “Polícia Civil” atrás e na
frente desenhado, na lateral, um brasão de todo tamanho.
Essa imagem que deve ter contribuido para a origem
daquele personagem da Escolinha do Professor Raimundo, o
Seu Fininho, interpretado pelo ator André Mattos que
sempre dizia: “É PULIÇA! P-U-L-I-Ç-A! OTORIDADE!”
Os Detetives, tipicamente,
deveriam usar ternos esporte ou outro traje formal
(business attire), adaptados para o clima tropical do
nosso país, quando dentro de delegacias, fórums, prédios
públicos, cenas de crime, ou quando estivessem
realizando funções burocráticas e investigativas onde o
uso de uniformes chamaria muita atenção ou seria
intimidatório, mas ainda houvesse a necessidade de se
estabelecer e se demonstrar como uma autoridade.
Os Detetives que permanecessem
maior tempo nas ruas e que não comparecessem tanto nos
locais acima, usariam roupas comuns, urbanas ou street
ou outro tipo de traje geralmente usado pelo público, no
ambiente que estejam, de modo a se misturarem com o
público sem chamar a atenção.
Os segundo caso também se
aplicaria quando convocados para reforçar a segurança em
estádios e eventos, pois identificariam as infrações com
muito mais eficácia e não revelaria ao público suas
identidades prejudicando qualquer serviço investigativo
futuro. Como um detetive pode investigar se a sua
identidade e sua função já ficou estampada para todos?
Além disso, a polícia uniformizada, com seus cacetetes,
cães e equipamentos táticos são mais treinados para
exercer a segurança e lidar com a multidão.
Quem nunca entrou numa delegacia e
ficava sem saber quais das pessoas são ou não policiais?
Algumas vezes, dá pra distinguir porque se vê claramente
alguém portando uma arma na cintura. Mas se a arma não
estiver à mostra, não dá pra saber quem das pessoas que
estão lá, são policiais. Já houve situação que até
detentos foram confundidos como policiais. Por isso
seria obrigatória a utilização do distintivo por todos
os policiais civis, no exercício de suas atividades,
salvo, é claro, quando a necessidade do serviço exija
sua ocultação. O distintivo deveria ser fixado nas
vestes do policial, em local de fácil visualização,
devendo ser usado no cinto do lado direito, no bolso
superior do paletó, no lado esquerdo da camisa ou
dependurado no pescoço, à altura do peito.
No máximo uma divisão tática em
cada departamento. Particularmente nem acho que seria
necessário a Polícia Civil ter uma unidade
tático-uniformizada. Para quê 2 tropas de elite em
polícias diferentes se a função é a mesma, dar apoio em
operações ou rebeliões? Acabaria com aquelas inúmeras
unidades de apoio tático com policiais civis
uniformizados. Praticamente todos os policiais da PC
atuariam na investigação. Quando fosse necessário um
apoio tático numa operação, por exemplo, a PM e seus
grupos táticos ou de elite (Tático Móvel, ROTAM, GATE,
etc.) apoiavam dando cobertura na atuação dos policiais
civis. Creio até que iriam com a maior boa vontade, pois
a PM gosta de estar em operações junto com a PC, além de
serem bem mais treinados nesta função ostensiva. Mas, se
por alguma razão, que não seja vaidade, que eu
desconheça acha-se necessário a PC ter uma unidade
tática, então que fosse como dito: no máximo uma divisão
tática em cada departamento.
A Polícia Civil não deveria mais
ficar encarregada de emplacar veículos, expedir
documentos de trânsito ou carteiras de motoristas. Todos
os policiais que trabalhavam no Departamento de Trânsito
passariam a trabalhar em delegacias. Examinadores? Ora
deixe o agentes de trânsito incubidos desta tarefa. O
Chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, Marco Antônio
Monteiro de Castro, até que começou a pôr em prática
essa idéia, mas não prosseguiu. Possivelmente alguém
deve ter “berrado”. Na verdade, eu acharia até melhor se
o Detran passasse a ser um órgão independente, não
pertencendo a Polícia Civil, pois não tem nada a ver com
polícia judiciária. Mas sabemos muito bem que isso não
seria feito pois o Detran é uma fonte de dinheiro e
poder enorme…
Departamento de
informática
Não há necessidade de existir um
departamento de informática só para a polícia,
constituído basicamente por policiais. Os policiais
civis que ficavam trabalhando como técnicos de
computadores seriam todos remanejados para as
delegacias. Todo o serviço de informática seria prestado
pelo órgão ou departamento especializado que presta os
mesmos serviços para os outros órgãos do governo. Ou
então deveria ser contratado por empresas terceirizadas
que garantiam o serviço sempre que necessário.
Instituto de Identificação
O Instituto de Identificação não
ficaria engarregado de emitir carteiras de identidade.
Órgãos especializados ficavam incubidos desta tarefa. O
I.I., teria como prioridade o arquivo criminal
digitalizado e informatizado. Com sistemas como o AFIS
(Automatic Fingerprint Identification System) seria
possível identificar qualquer impressão digital deixada
na cena do crime, independentemente da existência de
suspeitos. Se possível, apareceria até a cor da cueca do
malandro.
O Instituto Médico Legal não
ficaria todo o tempo mais realizando S.V.O. (serviços de
verificação de óbito). Estes seriam realizados agora
pelas prefeituras municipais. O IML realizaria apenas as
autosias de interesse criminal. Desta forma, os laudos
médicos sairiam rapidinho…
Instituto de
Criminalística
Quanto ao Instituto de
Criminalística (IC), o departamento forense, o pessoal
que trabalha lá é que é mais indicado a comentar as
necessidades deste departamento. Embora não precise ser
um perito para saber que tal departamento poderia operar
com modernos e sofisticados aparelhos, desenvolvendo
técnicas científicas com peritos ou agentes forenses
muito bem preparados.
Departamento de
transportes
Viaturas caracterizadas para
investigação? Nada disso. As viaturas, quase todas
descaracterizadas. Seriam muito poucas as viaturas
caracterizadas.
A oficina e o abastecimento dos
carros seriam realizados por profissionais
especializados terceirizados que garatissem a eficiência
do serviço, acabando com a acumulação de veículos
quebrados no pátio. Qualquer peça que precisasse ser
adquirida seria providenciada na hora. Todas as viaturas
estariam seguradas, de modo que os policiais não tinham
que ficar preocupados de serem responsabilizados por
acidentes.
O serviço de inteligência era de
inteligência de verdade. Não mais seria uma unidade
totalmente administrativa onde os agentes ficavam
grudados o dia inteiro no computador lidando com
estatísticas ou sistemas. Sendo descentralizado nas
delegacias passaria a reunir e fornecer informações para
a divisões, quando estas precisassem, para a
investigação criminal. Estabeleceria correspondência com
o policiamento velado e serviço de inteligência da PM
(P2), promovendo intercâmbio de informações e ações. Não
haveria mais burocracia para rastrear em instantes a
localização dos sinais emitidos pelos aparelhos
telefônicos de vítimas pedindo socorro, de suspeitos
falando ao telefone ou de aparelhos roubados. O serviço
de inteligência coordenaria a infiltração de agentes
undercover (disfarçados) com total discrição e suas
identidades e as de informantes seriam mantidas sob
absoluto sigilo preservando sua integridade.
A Corregedoria, mais do que uma
casa punitiva que coloca medo em todos os policiais,
transformaria em sede de orientação e de justiça
policial. Até mudaria de nome, passando a se chamar
“Assuntos Internos”. Ela saberia diferenciar, orientando
o bom policial que poderia ter agido erroneamente ou
cometido alguma besteira no exercício da função e por
outro lado, agindo com firmeza e punindo o mal policial
que, dolosamente, se corrompia ou abusava de sua
autoridade manchando o nome da instituição.
A Academia de polícia, realizaria
constantemente cursos para capacitar os policiais com
professores altamente capacitados. Suas aulas não seriam
mais chatas, possuindo métodos bem didáticos que
despertavam o interesse do acadêmico. Teria parcerias e
convênios com universidades e com academias particulares
possibilitando o preparo físico diário ou semanal dos
policiais até mesmo nas regiões distantes da academia de
polícia. Cada delegacia deveria possuir um stand de tiro
devendo ser fornecido munição para treinamento pelo
menos 1 vez por mês. Os policiais errariam muito menos e
agiriam muito mais conforme os parametros legais.
A PC trabalharia realmente de
forma integrada com a polícia uniformizada. Não só
ficavam juntos, de costas um para o outro, porque eram
obrigados pela política governamental, mas atuavam
conjuntamente, trocando conhecimentos e se ajudando
mutuamente. Se a PM precisar de apoio da PC, vamos
colaborar. Se o contrário, ela nos apoie também.
Dessa forma, a Polícia Civil
funcionaria às mil maravilhas. A criminalidade
decresceria, o povo sentiria-se seguro e o governo tão
satisfeito com as metas alcançadas, que até poderia dar
substancial aumento de salário aos policiais em
reconhecimento aos seus excelentes trabalhos. A PC seria
um dos órgãos de maior credibilidade do Estado.
Mas infelizmente é um sonho
perdido. Por isso, hoje estão todos se aposentando e
todo mundo que passa no concurso e entra pra Polícia
Civil, se decepciona, permanece pouco tempo e sai pra
qualquer outra coisa melhor. Não é mais uma profissão, é
apenas um “bico”. Só me resta fazer o mesmo: estudar e
cair fora o mais rápido possível. É como diz o Capitão
Nascimento: “não vai ficar ninguém”!
Autor: “Ricke” P. H.
Gonçalves
AGENTE DA POLÍCIA CIVIL DE
MINAS GERAIS